Reforma e Construção 23/08/2017  

Profissão pedreiro: da obra ao próprio negócio

Dentro da construção civil, uma das mais fundamentais mãos de obra é a da profissão pedreiro. Conheça histórias de sucesso de quem virou dono do negócio.

Entre as diversas pessoas que trabalham na construção civil, a profissão pedreiro é uma das mais importantes. Especialistas da rotina da obra, eles são grandes entendedores do que é literalmente colocar a mão na massa. O bom desempenho no canteiro de obras nem sempre é o limite. Alguns se arriscam a tentar novas experiências na área, chegando a tornar-se até mesmo donos do próprio negócio. Conheça abaixo algumas destas histórias de sucesso.

Da profissão pedreiro à ideia milionária

Sidnei Borges dos Santos abandonou a escola aos 12 anos, após a 4ª série do ensino fundamental, para trabalhar na roça em Xaxim, Santa Catarina. Aos 18 anos, foi convidado por um primo para trabalhar de servente de pedreiro em canteiros de obras em Sorriso, Mato Grosso.

Foi aí que seu espírito empreendedor surgiu. Os negócios iam mal, cheios de dívidas, e seu primo resolveu abandonar a empreiteira. Sidnei, porém, se manteve no local, terminando as obras pendentes e reconquistando a confiança dos clientes. Novos trabalhos apareceram e ele foi juntando dinheiro até montar sua própria empresa ao lado de sua esposa, que se formou em Ciências Contábeis e passou a cuidar do dinheiro do negócio.

O ex-pedreiro teve então a ideia de fabricar casas pré-montadas, que são totalmente transportáveis – como as de madeira, mas de alvenaria. Sua ideia trouxe grandes empresas como aliadas e, há dez anos, seu faturamento já ultrapassava os R$ 300 milhões anuais.

 

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Sidnei Borges dos Santos, hoje milionário, é ex-pedreiro. Foto: Raul Junior/Exame

 

O pedreiro das franquias

Edilson Batista, da cidade paulista de Garça, foi pedreiro por três anos. No trabalho, percebeu que as construtoras desperdiçavam tempo e material para construir banheiros para seus trabalhadores e depósitos para suas ferramentas. A construção era feita no início da obra e demolida após o término dos trabalhos, e foi daí que ele teve a ideia de montar o seu próprio negócio de auxílio a esse serviço: as cabines de aço.

Para conseguir o dinheiro necessário, Edilson vendeu a casa onde morava e levantou R$ 145 mil. Com o dinheiro, ele encomendou a produção de 88 cabines com formato semelhante ao de contêineres e passou a alugá-las para construtoras da região. Em poucos meses, seu faturamento mensal chegou a R$ 16 mil (o valor atual não foi divulgado).

O pedreiro cujo salário não chegava a R$ 2.500 agora é empreendedor e seu negócio se tornou uma franquia. Já são 74 unidades no Brasil e o investimento para abrir uma unidade da rede vai de R$ 33 mil a R$ 62 mil.

 

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Container de Edilson Batista, ex-pedreiro que se tornou empresário. Foto: reprodução.

 

Do sonho à premiação

Desde os 7 anos, Expedito Arena era ajudante de pedreiro de seu pai em Rio Claro, São Paulo. Na juventude, conheceu Altino Cristofoletti, que também tinha o sonho de ser engenheiro. Para alcançar essa meta, Expedito trabalhou como técnico em edificações enquanto seu amigo se formava em um curso técnico.

Pouco tempo depois, trabalharam como professores, mas mantinham o anseio de entrar para a área de construção civil. O setor, porém, passava por um momento ruim, sem investimentos sequer em equipamentos de trabalho. Com a baixa oferta de emprego e o desejo de voltar à área, a dupla resolveu criar sua própria solução: lançaram o aluguel de máquinas para construção que, na época, era uma solução inovadora.

Iniciando pelas pequenas ferramentas – de furadeiras a betoneiras -, a dupla foi crescendo até se tornar uma franquia de sucesso. A rede se tornou uma referência nacional, ganhadora do prêmio de Melhor Franquia do Brasil em 2010 pela revista Pequenas Empresas Grandes Negócios. Atualmente, a dupla gera emprego para mais de 2 mil pessoas e seu faturamento chega a R$ 180 milhões.